Marina Gregolin é bailarina, coreógrafa e professora de Dracena, SP. Fundou a própria escola em 2001 e, quase 25 anos depois, ainda não saiu do palco. Nesse caminho, levou alunas a concursos nacionais, viu o grupo Camafeu ser selecionado pra seletiva do YAGP em Nova York, e adotou uma regra que repete antes de cada estreia: se ela não chorar no ensaio, o trabalho não ficou bom o suficiente.
Filha de uma mãe que repetia “faça o que você ama, mas faça até o fim e bem feito”, Marina entrou no balé criança, nunca enjoou, e foi crescendo dentro das salas de dança. Quando decidiu prestar vestibular de dança, a família estranhou, porque ninguém sabia que dança tinha faculdade.
Do balé de criança à faculdade em Curitiba
Marina prestou dança na Faculdade de Artes do Paraná, em Curitiba. Quando se formou, poderia ter ficado na capital. Preferiu voltar pra Dracena, a cidade pequena onde cresceu, porque é daqui que ela queria plantar.
De volta, começou a dar aula na escola da Leila, sua antiga professora, e em pouco tempo herdou a direção do grupo Camafeu. Quando a Leila fechou as portas, Marina abriu a escola que leva o próprio nome e manteve o Camafeu como companhia principal.
O primeiro nacional e a primeira vitória
A virada veio quando Marina resolveu levar o trabalho pra um concurso nacional. Inscreveu o grupo num regional com uma coreografia de Vivaldi e duas alunas novinhas. Passaram pra fase nacional. No dia da apresentação, as companhias grandes chegaram com ônibus, figurino e estrutura enorme. Elas entraram com mochila nas costas.
Dançaram como se fosse a última vez. Quando anunciaram o resultado, havia terceiro lugar, mas ninguém tinha atingido a nota de segundo. Marina olhou pras alunas e viu no rosto delas que viram o primeiro lugar antes do locutor confirmar. Foi afundando na cadeira.
Nova York, o YAGP e a maior vitrine internacional
A vitória abriu portas distantes demais. Uma das juradas convidou Marina pra estudar em Nova York. No mesmo ano, o Camafeu foi indicado pra seletiva do YAGP, programa internacional que selecionava dez companhias do Brasil. A viagem precisaria ser bancada pelas famílias, via rifas, leilão e jantares. A mãe de Marina entrou com o que faltava, com uma condição só: se a vaga abrisse, todas iam.
A seletiva foi em São Bernardo, com banca americana, direta e seca. Dançaram. Foram selecionadas. A viagem pros Estados Unidos veio logo depois, no mesmo ritmo puxado de treino que Marina cobra das alunas.
A pandemia sem palco e as alunas que partem
A pandemia tirou Marina do palco da noite pro dia. Tentou dar aula online, não funcionou, sentiu que virou palhaça, e parou. Quando voltou, muita coisa tinha mudado. Muitas alunas tinham ido embora de Dracena pra cursar faculdade, e algumas só voltam em feriado pra dançar no espetáculo.
A filha dela, de 7 anos, entrou pra escola e Marina combinou uma regra com ela: na sala, a menina não chama ela de mãe, chama de “professora”. É uma forma de manter o mesmo tratamento pra todas, e a mesma coerência que ela cobra na convivência da sala.
O vigésimo espetáculo: voltar pra cena
Marina está ensaiando o vigésimo espetáculo da carreira. Será em fevereiro de 2022, no Ginásio da Bebê, com dezesseis coreografias inéditas, dois musicais e uma apresentação especial de salsa com o parceiro dela, Wesley.
Na sexta, o palco é só da família. No sábado, é da cidade inteira. No domingo, a manhã é dedicada a entidades que às vezes nunca tiveram acesso a um espetáculo. Marina quer chorar na estreia. Se não chorar, ela refaz.
Onde encontrar
Marina Gregolin atende em Dracena, SP, onde mantém a escola de dança e o grupo Camafeu. Para acompanhar a agenda, marcar aulas ou seguir o trabalho, basta enviar mensagem no Instagram: @gregolinmarina. O vigésimo espetáculo está marcado para os dias 11, 12 e 13 de fevereiro de 2022, no Ginásio da Bebê.
Resumo do episódio
Marina Gregolin é bailarina, coreógrafa e professora que fundou sua escola em Dracena em 2001. O episódio acompanha sua trajetória desde a infância no balé até a formação em dança em Curitiba, passando pela primeira vitória em concurso nacional com o grupo Camafeu, a seleção para o YAGP em Nova York e os desafios enfrentados durante a pandemia. Conhecer sua história revela como persistência e exigência consigo mesma moldaram uma carreira de quase 25 anos sem sair do palco.
Principais aprendizados
- A decisão de voltar para a cidade pequena onde cresceu, em vez de ficar na capital após a formação, foi determinante para plantar raízes e construir um projeto duradouro.
- O primeiro grande resultado em concurso nacional veio com estrutura mínima, apenas uma mochila, enquanto companhias maiores chegavam com ônibus e figurino elaborado.
- A inclusão de entidades e comunidades no espetáculo é parte essencial do projeto, com apresentações especiais dedicadas a quem nunca teve acesso a uma peça de dança.
- Manter coerência nas regras da sala de aula, como a filha chamar de professora em vez de mãe, garante o mesmo tratamento para todas as alunas.
- O critério pessoal de qualidade é rigoroso: se não chorar no ensaio da estreia, o trabalho não ficou bom o suficiente e precisa ser refeito.
Perguntas respondidas neste episódio
Como Marina começou a trabalhar com dança profissional em Dracena?
Após se formar em dança na Faculdade de Artes do Paraná em Curitiba, Marina retornou a Dracena e começou a dar aulas na escola de sua antiga professora Leila. Quando Leila fechou as portas, Marina abriu sua própria escola e manteve o grupo Camafeu como companhia principal.
Como o grupo Camafeu foi selecionado para o YAGP em Nova York?
O Camafeu foi indicado para a seletiva do YAGP, programa internacional que selecionava dez companhias do Brasil. A seletiva aconteceu em São Bernardo com banca americana, e o grupo foi aprovado. A viagem foi financiada pelas famílias das alunas através de rifas, leilões e jantares, com a mãe de Marina completando o que faltava.
Como Marina estrutura seus espetáculos para atingir diferentes públicos?
Marina organiza os espetáculos em três dias: sexta é dedicada à família, sábado à cidade inteira e domingo pela manhã a entidades que frequentemente nunca tiveram acesso a um espetáculo de dança. Essa estrutura permite que o trabalho chegue a diferentes camadas da comunidade.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.