#484

Da faculdade de Direito ao salão de maquiagem: a história de Danieli Regagnan | #484

27 de agosto de 2026 • 9 min de leitura

Este texto vem do episódio #484 do AdamiCast

Danieli Regagnan começou a mexer com beleza aos 12 anos, fazendo tranças, sem imaginar que aquilo seria mais do que brincadeira de criança. Hoje ela vive de maquiagem e design de sobrancelha, com dois espaços próprios, um em Tupi Paulista, sua cidade natal, e outro em Dracena, onde também está construindo casa. Mas entre o começo e a estabilidade de hoje houve uma década inteira de resistência: sete anos de faculdade de Direito, dois trancamentos e uma OAB que nunca foi feita.

No episódio #484 do AdamiCast, gravado em Dracena, Danieli conta como precisou de muita terapia para admitir que a profissão já estava acontecendo enquanto ela lutava contra ela. A conversa passa pela pandemia, que a levou a nove meses de carteira assinada numa franquia, pelo lavabo que virou aula involuntária de marca pessoal, e por um posicionamento raro no meio da beleza: a recusa em romantizar jornadas de trabalho excessivas.

Tranças aos 12 anos e o salão que virou dela por um sábado

Danieli não sabe apontar um início exato. Quando eu vi, eu já estava fazendo, ela resume. Começou fazendo tranças ainda criança, em Tupi Paulista, e foi ampliando o repertório aos poucos. Aos 14 anos já estava dentro de um salão, ajudando, quando a chefe quebrou a clavícula e precisou se afastar. Foi assim que uma adolescente de 14 anos se viu, por um sábado inteiro, respondendo sozinha pelo salão.

A vocação aparecia em detalhes que hoje viram anedota: ela chegou atrasada para a própria formatura porque estava fazendo a maquiagem de uma noiva. Na adolescência, enquanto colegas de Tupi Paulista atravessavam para Dracena para estudar inglês, ela foi para o salão Laurindo, em Dracena, aprender cabelo. Elas não falam inglês, nem fazem cabelo, ela brinca hoje, mas a escolha carregava uma lógica que levaria anos para ela mesma reconhecer como acerto.

A aposta no Direito e a virada que só veio com terapia

Aos 17 anos, no fim do colégio, Danieli tomou a decisão que definiria a década seguinte: apostar tudo em uma faculdade de Direito, porque maquiagem, na cabeça dela na época, era hobby, não profissão. Formou-se em sete anos, trancou o curso duas vezes e nunca fez a OAB. Eu não fazia nem um, nem outro bem feito, ela reconhece sobre o período em que dividia atenção entre a faculdade e o trabalho que já pagava as contas.

A virada só veio depois de muita terapia. Foi a terapeuta quem nomeou o que estava acontecendo: no dia em que Danieli disse que não seria mais Direito, ela já tinha decidido pela maquiagem, só faltava admitir. Hoje ela defende a escolha com um argumento direto, sem falsa modéstia: preferiu ganhar dinheiro fazendo o que gosta a insistir numa carreira só porque era o caminho socialmente esperado, especialmente numa cidade de interior onde faculdades como USP e UNESP costumam ser o único horizonte apontado para quem estuda em escola particular.

A pandemia, a Arezzo de Dracena e a lição de constância

A pandemia trouxe um dilema concreto. A mãe de Danieli trabalhava na linha de frente da saúde, e atender clientes em casa virou insustentável. O salão fechou. Nesse período, ela passou nove meses como CLT na Arezzo de Dracena, entre marketing e caixa, e saiu de lá com uma lição que carrega até hoje: a franquia ensina uma constância que o profissional autônomo raramente aprende sozinho, postar todo dia, mandar mensagem todo dia, manter a frequência mesmo sem vontade.

Foi também um período de trabalhar parecendo bandido, nas palavras dela, driblando restrições para não perder toda a clientela construída ano após ano. A experiência deixou claro que constância e disciplina, e não apenas talento, sustentam um negócio de beleza no longo prazo, uma lição que ela reconhece nem sempre consegue aplicar por completo hoje em dia.

Chegada a Dracena e um mercado que a cidade insiste em achar saturado

Há cerca de seis meses Danieli abriu espaço próprio em Dracena, dividindo estrutura no salão do Tom. A expansão para a cidade não aconteceu do dia para a noite: ela já vinha atendendo clientes de Dracena e da região de Junqueirópolis havia tempo, até decidir formalizar um endereço fixo. Inaugurem, reinaugurem e me chamam, ela resume sobre a estratégia de usar cada abertura de salão como oportunidade de divulgação, o que gerou um salto real na agenda de atendimentos.

Ela contraria o senso comum de que a cidade já tem profissional de beleza demais. Na visão dela, falta gente qualificada justamente nos dias de maior demanda, os fins de semana de formatura, casamento e evento, um cenário puxado pelo curso de medicina que atrai movimento constante para Dracena. Hoje ela distribui a rotina entre sobrancelha durante a semana, maquiagem concentrada no fim de semana e cursos profissionais para quem quer entrar na área, uma terceira frente de receita que também funciona como forma de encurtar a curva de aprendizado de quem está começando.

O lavabo mamão maduro e a lição de marca pessoal

Uma das histórias mais lembradas do episódio nem é sobre maquiagem: é sobre a reforma de um lavabo. Danieli passou um fim de semana inteiro testando cores, errou o catálogo, decidiu em cinco minutos e acabou com um banheiro num tom de laranja forte que ela mesma apelidou de mamão maduro. Em vez de esconder o erro, postou o processo, incluindo o momento em que decidiu não mudar mais a cor. Se eu ficar com essa cor, eu tenho que sustentar, ela resume, tratando a escolha estética como uma questão de coerência pública.

O episódio virou sem querer uma aula de marca pessoal. Segundo ela, publicações sobre o lavabo geraram mais engajamento, e até agendamento de sobrancelha, do que muito conteúdo técnico sobre o próprio trabalho. É a mesma lógica que ela aplica ao decidir manter tudo, vida pessoal e profissional, numa única conta de Instagram, misturando CPF e CNPJ deliberadamente: para ela, quanto mais a pessoa aparece, mais a marca vende.

O limite entre dedicação e exaustão

Danieli é direta ao dizer que não romantiza jornadas de trabalho excessivas, um discurso comum entre profissionais de beleza que exibem sábados inteiros de atendimento como troféu. Para ela, cansaço em excesso compromete a qualidade da entrega, e por isso vem tentando, com apoio de estratégias de marketing, deslocar parte do faturamento que hoje se concentra no sábado para os dias úteis da semana, investindo especialmente no serviço de sobrancelha durante a semana.

Ao mesmo tempo, ela é sincera sobre a dificuldade de aplicar esse discurso por completo: quando não está no salão, sente que algo não vai bem. Esse é o tipo de tensão real que atravessa quem vive de atendimento e depende diretamente da própria agenda para gerar renda, e que ela discute sem tentar parecer resolvida demais.

Produto nacional, clima do oeste paulista e os dois tipos de maquiagem

No terreno técnico, Danieli defende uma régua que vai além da estética: existem, segundo ela, dois tipos de maquiagem, a instagramável, feita para chamar atenção nas redes, e a que realmente atende o mercado final, aquela que a maioria das clientes de fato vai usar no dia a dia. A mesma lógica orienta sua relação com produto: ela prioriza marcas nacionais por custo-benefício, e explica que bases importadas, embora excelentes, muitas vezes não foram formuladas para o calor do oeste paulista, ao contrário das nacionais.

Ela também percebe mudanças de comportamento na região: o horário dos casamentos mudou, com mais cerimônias no fim da tarde ou até no horário do almoço, o que alterou o tipo de maquiagem procurada. E a sazonalidade do comércio de beleza local também não é mais a mesma de antes da pandemia, com meses que antes eram fracos, como agosto, virando período de mais movimento.

Onde encontrar

O episódio #484 do AdamiCast foi gravado em Dracena, SP. Para acompanhar o trabalho de Danieli Regagnan, maquiagem, design de sobrancelha e cursos profissionais, siga o Instagram @daniregagnan_makeup.

Resumo do episódio

Danieli Regagnan começou a trabalhar com beleza aos 12 anos, em Tupi Paulista, mas passou a década seguinte apostando em uma faculdade de Direito que concluiu em sete anos sem nunca exercer. A pandemia, que a levou a nove meses de carteira assinada numa franquia em Dracena, e um longo processo de terapia foram decisivos para ela assumir de vez a maquiagem e o design de sobrancelha como profissão. Hoje ela mantém dois espaços próprios, em Tupi Paulista e em Dracena, oferece cursos profissionais e discute abertamente temas como marca pessoal, sazonalidade do mercado de beleza na região e os limites entre dedicação e exaustão no trabalho autônomo.

Principais aprendizados

  • Danieli levou sete anos cursando Direito, com dois trancamentos, e nunca fez a OAB, só reconhecendo em terapia que já vivia de maquiagem havia tempo.
  • Durante a pandemia, ela trabalhou nove meses como CLT na Arezzo de Dracena e credita à experiência o aprendizado da constância que sustenta um negócio de beleza.
  • Um erro de decoração, o lavabo apelidado de mamão maduro, gerou mais engajamento e agendamentos do que conteúdo técnico sobre maquiagem, reforçando sua estratégia de manter uma única conta de Instagram para vida pessoal e profissional.
  • Ela recusa romantizar jornadas extremas de trabalho e vem redistribuindo o faturamento do sábado para os dias úteis, priorizando o serviço de sobrancelha durante a semana.
  • Na escolha de produto, ela prioriza marcas nacionais por custo-benefício e por serem mais adequadas ao calor do oeste paulista do que muitas bases importadas.

Perguntas respondidas neste episódio

Como Danieli Regagnan começou na maquiagem?

Danieli começou aos 12 anos fazendo tranças em Tupi Paulista, SP, e foi ampliando o repertório de forma natural. Aos 14 anos já assumia sozinha o atendimento de um salão quando a chefe se afastou por uma lesão, e aos 18 anos abriu seu primeiro salão próprio na cidade.

Por que Danieli fez faculdade de Direito antes de virar maquiadora profissional?

Aos 17 anos, ela decidiu apostar em uma formação tradicional porque, na época, considerava a maquiagem apenas um hobby e não uma carreira viável. Formou-se em sete anos, com dois trancamentos, mas nunca fez a OAB, e levou anos de terapia para admitir que já vivia da beleza.

Como foi a experiência de Danieli como CLT durante a pandemia?

Com o salão fechado e a mãe atuando na linha de frente da saúde, Danieli trabalhou nove meses como CLT na loja da Arezzo em Dracena, atuando em marketing e caixa. Ela credita a esse período o aprendizado de rotinas de constância, como postar e se comunicar todos os dias, que hoje aplica no próprio negócio.

Onde fica o espaço de Danieli Regagnan em Dracena?

Há cerca de seis meses, Danieli abriu um espaço próprio em Dracena, dividindo estrutura no salão do Tom. Ela mantém também seu salão original em Tupi Paulista e atende clientes da região de Junqueirópolis, além de oferecer cursos profissionais de maquiagem e sobrancelha.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.