#332

Da carroça de papel à referência regional: a historia de Pedro e Emilia, da Sucatolândia | #332

16 de agosto de 2024 • 5 min de leitura

Este texto vem do episódio #332 do AdamiCast

Poucas histórias resumem tão bem a força de trabalho e a dignidade construída aos poucos como a de seu Pedro e dona Emília, fundadores da Sucatolândia, empresa de reciclagem que se tornou referência em Dracena e região. No episódio 332 do AdamiCast, o casal contou como saiu da roça, da fome e da falta de oportunidades para erguer um negócio que hoje emprega dezenas de pessoas e recolhe centenas de toneladas de material reciclável por mês.

Uma infância de trabalho e uma juventude de provações

Seu Pedro nasceu em Jamaica e veio de uma família de oito irmãos, criados apenas pelo pai, na roça. “Eu com nove anos já comecei a trabalhar pra ajudar”, contou, relembrando anos de labuta que incluíram trabalho como cobrador de ônibus, carroceiro e até no serviço da prefeitura de Dracena. Antes de montar a empresa que carrega seu nome até hoje, ele enfrentou também um período difícil de saúde: em 1974 ficou internado por mais de um ano em Catanduva por conta de uma doença nos pulmões.

Foi ao chegar em Dracena, já recuperado, que conheceu Emília. O casamento, segundo ele mesmo brincou, foi “fugido”, e logo os dois passaram a trabalhar juntos na roça, colhendo amendoim e algodão, em uma rotina que ele descreve como “uma luta danada” até 1984.

O começo da Sucatolândia: uma roda de bicicleta e uma balança emprestada

A virada veio quando o casal decidiu catar papel na cidade. Sem dinheiro para comprar equipamentos, seu Pedro foi até uma bicicletaria pedir rodas para montar os primeiros carrinhos. “Falei, esse é o Nelson, eu tô fazendo dois carrinhos e preciso de quatro rodas. Aí ele falou pra mim, tá aqui a roda”, relembrou, em um dos momentos mais emocionantes da conversa.

Sem balança para pesar o material, outro gesto de confiança foi decisivo: um comerciante chamado Ernesto emprestou o equipamento para que ele pagasse quando pudesse. “Ele falou, Pedro, eu levo essa balança e me pago o dia que você puder”, contou, ainda visivelmente emocionado ao lembrar. A partir daí, o casal passou a recolher papel, plástico, metal, cobre e alumínio, contando também com a ajuda dos filhos, que cresceram literalmente em meio ao trabalho da família.

Uma empresa de Marília, ao perceber o empenho do casal, começou a fornecer prensas, caminhões e até dinheiro adiantado, pago depois em material reciclado. “Essa firma foi vendo que a gente tinha coragem de trabalhar mesmo”, resumiu seu Pedro, destacando como aquele apoio foi essencial para o crescimento do negócio.

Preconceito, fiscalização e a superação com trabalho

O crescimento não veio sem obstáculos. O casal relembrou episódios de preconceito, como quando a polícia confundiu uma caminhonete comprada com o próprio trabalho com um veículo roubado, e também as visitas de fiscais da vigilância sanitária, incomodados com o depósito de material reciclável funcionando dentro de casa. “Falei, olha, gente, o dia que eu perder a cabeça aqui dentro, eu mato uma meia dúzia aqui dentro”, relatou seu Pedro sobre um desses embates, destacando que depois disso nunca mais tiveram problema.

A prefeitura de Dracena, mais adiante, cedeu um terreno para que a empresa pudesse se expandir e sair do espaço doméstico, permitindo a organização por setores de materiais como papelão, plástico, ferro e metal. Hoje, segundo o casal, a vigilância reconhece que o depósito da Sucatolândia é mais organizado que muitos quintais residenciais.

Cinco filhas, uma gestação de risco e uma vida sempre em dupla

Entre tantas histórias marcantes, uma das mais tocantes foi o nascimento das filhas gêmeas do casal, em meio a uma gestação considerada de risco pelos médicos, que sugeriram inclusive que as crianças fossem entregues para adoção caso o casal não tivesse condições de criá-las. Emília trabalhou até horas antes do parto. “Ela trabalhou até seis e meia da tarde. Quando foi nove e meia da noite, ela ganhou essa gêmea”, contou seu Pedro.

As cinco filhas do casal cresceram dentro da empresa e hoje seguem à frente do negócio, ao lado de mais de uma dezena de funcionários diretos e cerca de 60 pessoas que vivem da atividade de coleta ligada à Sucatolândia. “Chamam elas de lixeira, mas quando elas saem com os carros novos, aí o nego fica perguntando”, contou seu Pedro, com orgulho visível da trajetória das filhas.

Gratidão, fé e reconhecimento da cidade

Ao longo da conversa, o casal reforçou o quanto a gratidão pelas pessoas que os ajudaram no início moldou sua forma de viver hoje. Apoiam entidades assistenciais, participam de leilões beneficentes em quermesses e rodeios da região, e seu Pedro é figura conhecida como arrematante voluntário em campanhas de caridade. “O salário que eu ganho da tudo pros outros, mas volta em dobro”, resumiu, ao explicar por que continuam ajudando tanto quanto podem.

Aposentado formalmente há sete anos, seu Pedro admite não conseguir ficar parado e hoje já começa a passar a administração da empresa para uma das filhas, mesmo sem deixar de acompanhar de perto o trabalho diário. Ao final da entrevista, deixou uma mensagem que resume a trajetória contada ao longo de décadas: “O segredo do sucesso é a humildade, a honestidade e Deus em primeiro lugar.”

Onde encontrar

Você encontra quem participou deste episódio no Instagram: @sucatolandia24.

Resumo do episódio

Seu Pedro e Dona Emília contam como fundaram a Sucatolândia em Dracena a partir de uma extrema dificuldade financeira, comecando a catar papel em 1984 sem dinheiro, usando apenas a armacao de dois carrinhos e uma roda de bicicleta doada por um vizinho. Eles relatam a evolucao do negocio desde uma balanca emprestada e uma prensa de madeira feita a mao ate a chegada de uma prensa hidraulica e caminhoes doados por uma empresa de Marilia que confiou no esforco do casal. A trajetoria inclui episodios de preconceito, fiscalizacao, criacao das cinco filhas dentro do proprio deposito de reciclagem e a construcao de uma empresa que hoje emprega dezenas de pessoas e movimenta toneladas de material reciclavel por mes.

Principais aprendizados

  • E possivel construir um negocio de reciclagem do zero, comecando sem capital, apenas com disposicao para catar papel e materiais recicláveis.
  • Ferramentas simples como uma balanca emprestada e uma prensa artesanal de madeira podem viabilizar o inicio de uma operacao antes de haver equipamento profissional.
  • Conseguir credibilidade e apoio de fornecedores e empresas parceiras pode vir do reconhecimento do esforco e constancia no trabalho, mesmo sem recursos iniciais.
  • Administrar bem o dinheiro ganho, sem gastar de forma impulsiva, foi apontado como fator central para o crescimento sustentado do negocio ao longo dos anos.
  • Trabalhar em familia, com filhas e conjuge envolvidos diretamente na operacao, foi parte da estrutura que permitiu a empresa crescer e se manter ao longo de decadas.

Perguntas respondidas neste episódio

Como comecou a Sucatolandia, a empresa de reciclagem de Dracena?

O negocio comecou em 1984, quando o casal decidiu catar papel na cidade sem ter recursos, contando apenas com a armacao de dois carrinhos. Um bicicleteiro da regiao forneceu as rodas necessarias para montar o primeiro carrinho de coleta. Depois, uma pessoa emprestou uma balanca para pesagem dos materiais, e o casal construiu uma prensa artesanal de madeira para compactar o papel recolhido antes de vender a uma empresa de Marilia.

Como o negocio conseguiu crescer sem capital inicial?

O crescimento veio de parcerias e confianca conquistadas aos poucos. Uma empresa de Marilia, que comprava o material reciclavel, percebeu o empenho do casal e passou a doar equipamentos, incluindo uma prensa hidraulica, uma caminhonete e depois ate um caminhao, permitindo ampliar a capacidade de coleta e transporte. O proprio dono relembra que tudo comecou muito pequeno, sem dinheiro para comprar nada.

Quantas toneladas de material a Sucatolandia recolhe atualmente?

A empresa relata recolher atualmente entre 150 e 200 toneladas de material reciclavel, resultado de decadas de trabalho que comecaram com coleta manual usando carrinhos e uma balanca emprestada. Esse volume e resultado de uma operacao que hoje conta com dezenas de pessoas envolvidas na coleta e no funcionamento da empresa em Dracena e regiao.

Quantas pessoas trabalham hoje na Sucatolandia?

A operacao envolve direta e indiretamente um numero significativo de pessoas. Alem das cinco filhas do casal, que atuam na empresa, ha cerca de onze funcionarios trabalhando internamente e outras cinquenta a sessenta pessoas que fazem a coleta de materiais recicláveis para revenda ao negocio, o que caracteriza uma rede ampla de trabalho gerada pela atividade.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.