#219

Da banda marcial ao Luan Santana: a história de Gabrielli e Josimar, de Nova Guataporanga | #219

23 de maio de 2023 • 7 min de leitura

Este texto vem do episódio #219 do AdamiCast

Gabrielli tem 17 anos. Josimar tem 27. Ela toca caixinha na banda marcial de Nova Guataporanga. Ele dá aula de percussão. Quando ela tinha 12 e ele 22, os dois se cruzaram naquela escola, e a diferença de idade era um abismo. Dez anos depois, num bar de Dracena, no improviso da primeira música cantada juntos, ela lembra que os dois arrepiaram. Ele lembra a mesma coisa. E o dono da festa, na hora, falou: “vocês têm que formar dupla, eu patrocino”. A dupla Gabrielli e Josimar nasceu assim, com um arrepio e um patrocínio de virada de ano, e completa cinco anos em dezembro de 2023.

No episódio #219 do AdamiCast, em 23 de maio de 2023, os dois contaram a história desde a banda marcial até o palco, do coral da igreja em que ela estreou em público, passando pelo dia em que ela cantou com Luan Santana aos 16 anos, com a mãe do lado, de salto alto, sem saber dançar, e pela estrada longa dele, que passou por várias duplas, pelo Sombras de terceira idade, por um circo, e quase foi padre. É a história de quem faz da música o segundo turno, e da vergonha de criança, a força de quem decide subir no palco.

A banda marcial, os 10 anos de diferença, e a primeira música que arrepiou

Josimar e Gabrielli se conheceram na banda marcial de Nova Guataporanga quando ela ainda era criança. Ele dava aula de percussão, ela tocava caixinha. Ele saiu da banda, foi pra Maringá ficar cinco anos, e quando voltou encontrou uma cidade diferente, uma Gabrielli já tocando com outro parceiro, e um vídeo em que ela cantava. Ele conta que precisava cumprir uma data de virada de ano em Dracena, e foi ver de perto se a voz que tinha visto no vídeo era a mesma ao vivo. Era.

Naquela noite, ele chamou ela pra cantar uma música. Não tinha ensaio, era tudo no improviso. Ela lembra que terminaram a primeira música e “se beijaram” de tão boa que ficou. Ele lembra que arrepiou na segunda. Os dois lembram, com a mesma intensidade, daquela primeira vez. A partir daí o dono da festa falou que queria patrocinar, e a primeira música gravada saiu com o dinheiro dele. Cinco anos depois, em 2023, eles estão juntos na estrada, e a primeira música segue no repertório.

A vergonha de Gabi, o coral da igreja, e o violão que a mãe deu nos 16 anos

Gabrielli canta desde criança, mas só dentro do quarto. Na escola fazia apresentações usando uma pastinha pra esconder a cara, e a vergonha era tanta que ela quase não aparecia. O que mudou foi a entrada no coral da igreja, aos 15 anos, depois que a mãe, Dona Helena, falou: “vai ter um monte de gente, você não vai ser a única”. Chegou lá e era a única jovem da turma, mas o professor Éder, de Dracena, viu potencial e passou a ensaiar com ela fora do horário, até o dia em que mandou ela cantar o salmo. “Eu não estou perguntando”, disse ele.

No dia da missa, ela cantou olhando pro chão, sem conseguir encarar ninguém. Quando acabou, o pessoal da igreja perguntou: “Gabrielle, onde tava isso escondido?”. A partir daí, ela não parou mais. Um ano depois, aos 16, a mãe deu um violão de presente, e o violão é o mesmo que ela usa até hoje nos shows. Dona Helena é a primeira a bater palma em todo show da filha, e é quem, nos bastidores, ainda hoje é lembrada como a grande incentivadora.

Cantou com Luan Santana aos 16 anos, com a mãe do lado, de salto alto

A história mais marcante da carreira de Gabrielli aconteceu num rodeio em Santa Mercedes, quando ela tinha entre 16 e 17 anos. Luan Santana estava no auge do hit Meteoro, e a produção tinha autorizado a entrada de uma menina da região pra cantar uma música com ele. Dona Helena, a mãe, foi a artífice. Ela já tinha pagado a gravação de um CD com cinco músicas da filha, e quando soube da apresentação, não aceitou não como resposta: “você vai”.

Chegando no rodeio, ninguém deixava a fila passar. Dona Helena desceu, chamou o segurança, e pediu: “entrega esse CD na mão de alguém, fala que é uma mãe que tá pedindo”. O produtor ouviu, e a noite terminou com Gabrielli subindo ao palco, de salto alto, sem saber dançar, e Luan puxando a música de João Bosco e Vinícius. No dia seguinte, o telefone não parou de tocar: rádio chamando, gente querendo contratar, “a menina que cantou com Luan Santana”. A carreira começou ali.

Josimar: da banda marcial ao frigorífico, passando pelo Sombras, pelo circo, e quase pelo seminário

Josimar começou na banda marcial com 7 anos, virou monitor aos 12, e desde então não parou de cantar. Fez dupla com vários parceiros, todos rapazes, e cada um seguiu um caminho. Um virou padre, depois largou e casou com uma moça que conheceu no seminário. Outro entrou pra um grupo chamado Cadê o Gaiteiro, que abriu pra Zezé di Camargo e Luciano, e quando o grupo acabou cada um foi pro seu lado. Josimar ficou sem parceiro, e quase entrou em depressão.

Foi quando um amigo baixista de Ouro Verde ligou e ofereceu um lugar de vocalista no Sombras, um grupo de forró que tocava pra terceira idade. Ele rodou um tempo bom por lá, até perceber que o público era outro, e o horário começava e acabava certinho, sem hora extra. Saiu e foi cantar com Dário Alfredo, do Circo, com quem chegou a rodar o Brasil, fez três apresentações no picadeiro, e quase foi viver de circo. Não deu certo, e foi nessa fase que ele conheceu Gabrielli. Antes de tudo isso, Josimar conta que chegou a cogitar seguir a vida religiosa, depois da formação do padre Dominguinhos, primo dos seus primos de Panorama. Desistiu no primeiro cabelo de mulher que cheirou.

Nova Guataporanga, a música como segundo turno, e o sonho de gravar

Hoje, em 2023, a dupla não vive ainda de música. Josimar trabalha como auxiliar administrativo no frigorífico Alfa de São João do Pau-d Alho há cinco anos. Gabrielli é líder de setor no supermercado São João há quase 17 anos, e mora em Nova Guataporanga com a esposa Mirian, com quem é casada há oito anos, e com o filho de coração Caik, de 13. A rotina é dia de trabalho, noite de show, fim de semana fechado até setembro, e em novembro já tem pingadinho na agenda. Quando não está cantando, ela faz os afazeres da casa.

O sonho mais próximo é voltar a gravar. Eles têm uma música autoral, “Banquinho de Cimento”, comprada de compositoras de Goiânia antes da pandemia, que segue no repertório mesmo anos depois. Josimar participou da Maratona da Composição do Thiago Marcelo em Adamantina, e voltou de lá com uma música vendida e o plano de produzir material próprio. A música como segundo turno, a vida como cidade pequena, e o palco como o lugar onde a vergonha de criança vira a melhor parte do dia.

Onde encontrar

Gabrielli e Josimar são a dupla sertaneja de Nova Guataporanga que se conheceu na banda marcial, com 10 anos de diferença, e hoje roda a região de Dracena, Panorama, Paulicéia, Presidente Venceslau e Ouro Verde. Para acompanhar a agenda e os bastidores, siga o Instagram da dupla: @gabrielliejosimar.

Resumo do episódio

Gabrielli e Josimar formam uma dupla sertaneja que começou na banda marcial de Nova Guataporanga, com dez anos de diferença de idade. A história vai desde o coral da igreja onde Gabrielli venceu a vergonha de criança, passando pela apresentação aos 16 anos com Luan Santana em um rodeio, até a formação da dupla após uma primeira música que arrepiou ambos em um bar de Dracena. Hoje trabalham em outros setores e fazem da música o segundo turno, rodando a região com sonho de gravar material próprio.

Principais aprendizados

  • A vergonha de criança pode ser transformada em força através do incentivo certo, como aconteceu com Gabrielli no coral da igreja aos 15 anos.
  • Uma apresentação em destaque com um artista conhecido pode alavancar a carreira, como ocorreu quando Gabrielli cantou com Luan Santana aos 16 anos em um rodeio.
  • A persistência da mãe de Gabrielli, que entregou um CD na mão de um produtor no rodeio, foi determinante para abrir portas na carreira.
  • Muitos músicos da região fazem da música um segundo turno enquanto trabalham em outras profissões, como frigorífico e supermercado.
  • A primeira conexão musical entre dois artistas pode nascer do improviso, sem ensaio prévio, e consolidar uma parceria duradoura.

Perguntas respondidas neste episódio

Como Gabrielli e Josimar se conheceram?

Os dois se conheceram na banda marcial de Nova Guataporanga, onde Josimar dava aula de percussão e Gabrielli tocava caixinha. Reencontraram-se anos depois em Dracena durante uma apresentação de virada de ano, onde cantaram juntos pela primeira vez no improviso.

Como Gabrielli venceu a vergonha de cantar em público?

Gabrielli começou no coral da igreja aos 15 anos, incentivada pela mãe. O professor Éder viu potencial e ensaiou com ela, obrigando-a a cantar um salmo na missa. Após essa apresentação, ela ganhou confiança e não parou mais de cantar.

Como a carreira de Gabrielli começou?

A carreira começou quando Gabrielli cantou com Luan Santana aos 16 anos em um rodeio em Santa Mercedes. Sua mãe conseguiu entregar um CD à produção, garantindo a participação. No dia seguinte, rádios e produtoras passaram a buscar Gabrielli como a menina que cantou com Luan Santana.

Como é a rotina de Gabrielli e Josimar atualmente?

Gabrielli trabalha como líder de setor em um supermercado há quase 17 anos e Josimar como auxiliar administrativo em um frigorífico há cinco anos. A rotina consiste em dias de trabalho, noites de show e fins de semana fechados até setembro para apresentações pela região.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.