O episodio 302 do AdamiCast recebeu um casal que carrega quase duas décadas de historia junta: David e Rosana, ele hoje empresario cervejeiro em Dracena, ela responsavel pela parte administrativa da fabrica. A conversa passou pelo namoro que comecou num galpao de festas antigo da cidade, pelos anos duros de comercio, pela chegada dos dois filhos em momentos completamente diferentes da vida e, por fim, pela virada de chave que os levou a empreender juntos numa cervejaria que nasceu como hobby e se tornou negocio.
Do galpao ao altar
A historia dos dois comeca num tempo sem WhatsApp, quando “o WhatsApp da epoca era a carta”. Rosana contou que via David passando na frente da loja onde trabalhava, de bonezinho vermelho e tenis All Star, e foi uma amiga em comum que aproximou os dois numa noite de galpao. O namoro emplacou rápido, ainda que com um detalhe que pegou Rosana de surpresa: David tinha 17 anos quando ela tinha 19. “Eu tinha 19, falei, meu, e agora?”, relembrou ela, entre risadas, lembrando que ele ainda chegou a mostrar o RG para provar a idade. O pedido de namoro veio no tradicional baile dos namorados no Xadrez Tenis Clube, e dali em diante a relacao ganhou seriedade rapidamente.
Namoraram tres anos e vieram o casamento e a gravidez do primeiro filho, Gabriel, em 2004. A noticia foi contada primeiro para a sogra de Rosana, que recebeu bem, e depois para os pais dela, num momento carregado de tensao. “Vai ter que nascer, mae”, brincou David, relembrando a reacao da familia diante da situacao financeira apertada dos dois, que ainda ganhavam pouco no comercio e no escritorio onde ele trabalhava com o tio.
Os perrengues do comeco
Sem condicoes de alugar uma casa propria, o casal foi morar com a mae de David, viuva, e ficou ali por oito anos. Um episodio marcante da epoca foi a tentativa fracassada de alugar uma casa: as chaves seriam entregues num feriado de dezembro, mas uma chuva torrencial inundou o imovel na vespera da mudanca. “Cheguei no sabado de manha, tinha tres dedos de agua dentro da casa”, contou David, o que os fez desistir do contrato e seguir na casa da mae por mais tempo.
Foi nessa fase que compraram, no financiamento, um carro que se tornou simbolo de toda uma epoca: um Corsa azul 98, apelidado de Azulona, que nao tinha freio traseiro, nao abria a tampa traseira e ainda por cima parava sempre em frente a caixas eletronicos porque a porta so fechava na segunda ou terceira tentativa. “A gente encheu ela e fez de piscina uma epoca”, contou David, e o carro serviu a familia por seis anos, ate ser vendido, momento que Rosana admite ter chorado.
A virada com o emprego e a casa propria
A virada de chave, segundo eles, veio quando David conseguiu um novo emprego, trabalhando treze anos com a familia Troncon, o que permitiu ao casal comecar a se estruturar financeiramente. Rosana tambem melhorou de emprego e, juntos, conseguiram financiar a casa propria pelo programa Minha Casa Minha Vida. “Foi a melhor opcao que a gente encontrou na epoca”, resumiu David, destacando que hoje tem casa, carro e familia formada.
A segunda gravidez, na pandemia
Depois de dezessete anos com Gabriel praticamente crescido, o casal ja havia decidido que nao teria mais filhos e estava focado no trabalho e em planos futuros. Foi ai que a pandemia trouxe a surpresa: Rafaela. Rosana contou que nao suspeitava de nada, sentiu dores e desconforto que atribuiu a uma infeccao urinaria, e so foi fazer o teste de gravidez a pedido de David. A confirmacao veio de um jeito inusitado, dentro do carro, quando o proprio Gabriel, no banco de tras, apontou para o resultado do exame e brincou: “Mae, olha isso, da cegonha aqui”. “Foi um choque que eu nao sei nem explicar”, descreveu Rosana sobre o momento.
A gravidez trouxe tambem outra camada de vivencia: a familia pegou Covid em conjunto, incluindo a bebe recem-nascida, que mamava no peito e nao pode ser isolada dos pais. Apesar do susto, passou de forma tranquila, e a experiencia de criar Rafaela hoje, dizem os dois, e completamente diferente daquela vivida com Gabriel, marcada por mais estabilidade financeira e mais tempo disponivel para dedicar a filha.
Do comercio para a cervejaria
Antes de virar empresario cervejeiro, David passou por anos de trabalho assalariado, assim como Rosana, que somou quase duas decadas entre lojas de departamento e uma boutique, onde aprendeu a lidar com clientes e a montar looks completos, apesar de admitir que “na hora que eu ia sair, eu nao sabia me vestir”. A cervejaria comecou em 2012 como parceria e hobby de fim de semana, com producao terceirizada no inicio, ate que o crescimento da demanda exigiu presenca integral dos dois socios. “Montar uma cervejaria em Dracena, voce e louco?”, relembrou David sobre as reacoes que ouviu no comeco.
A decisao de trazer Rosana para dentro do negocio veio da necessidade de dividir tarefas: David ficou responsavel pela producao, o socio Adolfo pela parte financeira e de contato com clientes, e Rosana passou a cuidar do atendimento e delivery, area que ela descreve como um aprendizado totalmente novo depois de anos vendendo roupas. Ao contrario do medo inicial de que trabalhar junto desgastasse o casamento, os dois avaliam que a experiencia fortaleceu a relacao, já que hoje entendem melhor as dificuldades um do outro tanto como funcionarios quanto como patroes.
Hoje a cervejaria produz muito mais do que nos primeiros meses, quando David comprava garrafas do proprio produto nas lojas parceiras so para forcar a reposicao de estoque, numa tatica inspirada nas grandes marcas do mercado. Entre as dificuldades de competir com companhias maiores e a satisfacao de ver o produto crescer desde as fotos amadoras postadas em 2012, o casal reconhece que a trajetoria, cheia de perrengues e reviravoltas, foi o que os trouxe ao momento atual: um negocio proprio, dois filhos criados com valores diferentes em cada fase da vida, e um relacionamento que atravessou quase vinte anos de historia junto.
Onde encontrar
Você encontra quem participou deste episódio no Instagram: @rooliveirargd, @deividoliveira e @cervejariadhuo.
Resumo do episódio
O episódio reúne um casal de Dracena que conta como se conheceram ainda adolescentes, passaram por dificuldades financeiras no início do relacionamento, tiveram o primeiro filho ainda jovens e moraram anos na casa da mãe dele antes de conquistar casa e carro próprios. Eles relatam a trajetória profissional no comércio local, a chegada inesperada da segunda filha durante a pandemia e a decisão de sair dos empregos formais para se dedicar integralmente a uma cervejaria artesanal fundada em parceria com um sócio, contando os desafios de empreender, dividir tarefas e trabalhar junto sem prejudicar o relacionamento.
Principais aprendizados
- Passar por dificuldades financeiras no início de um relacionamento é comum e pode ser superado com o tempo e o apoio da família.
- Sair de um emprego CLT para empreender gera insegurança inicial, especialmente quando a produção e os clientes ainda são poucos.
- Dividir as funções entre os sócios ou parceiros, como produção e atendimento ao cliente, ajuda o negócio a crescer de forma organizada.
- Ter experiência como funcionário antes de se tornar patrão ajuda a entender melhor as dificuldades de gerenciar pessoas e um negócio próprio.
- Trabalhar junto como casal no mesmo negócio pode fortalecer a relação quando há separação entre assuntos profissionais e vida pessoal em casa.
Perguntas respondidas neste episódio
Como foi o processo de criar uma cervejaria artesanal em uma cidade pequena?
O processo começou como um hobby, produzindo cerveja em casa com panelas grandes no fundo do quintal. Depois disso houve uma parceria formal a partir de 2012, com produção terceirizada para conseguir colocar o produto no mercado antes de construir a fábrica própria. Somente depois de firmar a parceria e montar equipamentos é que a presença constante no local se tornou necessária, levando um dos sócios a deixar o emprego formal para se dedicar exclusivamente ao negócio.
Como equilibrar carreira e chegada de filhos quando não há estabilidade financeira?
O relato mostra que a preocupação financeira foi a primeira reação ao descobrir a gravidez ainda jovens, pois nenhum dos dois tinha condições de sustentar uma família sozinho na época. A solução encontrada foi morar com a mãe de um dos cônjuges por oito anos, dividindo despesas, até conseguir financiar casa e carro próprios conforme os empregos foram melhorando.
Vale a pena sair de um emprego estável para empreender?
O relato indica que a mudança trouxe insegurança nas primeiras semanas, período em que faltava movimento e não havia produção escalada nem muitos clientes, gerando a sensação de não ter o que fazer no dia a dia. Com o tempo e o aumento gradual dos pedidos, foi necessário contratar ajuda e dividir responsabilidades, mostrando que o crescimento veio de forma progressiva e não imediata.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.