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Canil Invictus: a história do criador que cria filhos, não cachorros em Dracena | #164

20 de outubro de 2022 • 8 min de leitura

Este texto vem do episódio #164 do AdamiCast

Quando o produtor de vídeo Guilherme Carli ganhou de presente da esposa a primeira cadela da raça American Bully, em 2018, ele não fazia ideia de que aquele gesto doméstico ia virar um canil profissional, três anos de premiações nacionais, um time de cinco cães de linhagem premiada e, no horizonte mais próximo, a chegada do primeiro filho biológico. A história do Canil Invictus Bully, contada por ele no episódio #164 do AdamiCast, em outubro de 2022, é a de um projeto familiar que começou em Dracena, no interior de São Paulo, e se transformou em referência nacional em uma das raças que mais rendeu discussão nos últimos anos.

Ao longo de quase duas horas de conversa, Guilherme mostrou como uma paixão pessoal virou um negócio estruturado em cima de genética, veterinária especializada e uma filosofia simples, quase um mantra, que ele repete várias vezes no episódio: “a gente não cria cachorro, a gente cria filhos”. A frase não é exagero de linguagem: ela dita cada decisão do canil, da alimentação suplementada ao protocolo de vacinas em três doses, da escolha criteriosa dos cruzamentos até a forma como ele lida com a hora de entregar um filhote para uma nova família.

A American Bully como o “oposto do Pit Bull”

A American Bully é uma raça jovem, criada nos Estados Unidos a partir do American Pit Bull Terrier e do American Staffordshire Terrier, com cruzamentos pontuais de buldogues inglês e franceses para reforçar a estrutura física. Guilherme explica que o ponto de partida dos criadores americanos foi resolver um problema que já tinha virado caso de política pública: a agressividade do Pit Bull. “Foram proibidas as rinhas e os criadores apaixonados por aquele fenótipo começaram a selecionar uma raça completamente oposta, com a mesma aparência, mas temperamento zero agressivo.” O resultado é um cão compacto, musculoso, que parece um Pit Bull mais largo e baixo, mas que, no convívio, se comporta de um jeito que, segundo o criador, se parece mais com o de uma criança do que com o de um cão de guarda.

No Brasil, a raça começou a ganhar tração nos últimos anos, com canis estruturados em São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro, além de criadores menores espalhados pelo interior. Foi em um desses canis, em Marília, que Guilherme viu pela primeira vez a cão que mudaria a história dele e da esposa. “Foi um divisor de águas. Minha esposa nunca tinha gostado de cachorro e, quando chegou a Bully, dormia com a gente no quarto.” O presente foi tão certeiro que ele passou a pesquisar a raça com afinco, e em 2019 oficializou a criação do Canil Invictus Bully, já com uma direção clara: a de produzir cães dóceis, com estrutura de campeonato e acompanhamento veterinário especializado.

Veterinário de raça, fotógrafo de marca e a cultura das 2 horas

Um dos pontos que mais aparece no bate-papo é a importância de uma equipe técnica em volta do canil. Guilherme cita dois nomes com frequência: o veterinário Renato, da Medical Pet, que cuida da parte reprodutiva, do ultrassom periódico, das cesáreas quando necessário e da dosagem de anestesia, já que a American Bully exige cuidados diferentes de outras raças por causa da densidade muscular e da estrutura respiratória; e o fotógrafo Bruno, que segundo ele transformou o Instagram do canil e a forma como os cães são apresentados para o mercado. “Antes do Bruno era uma coisa, depois dele ficou outra. O cara sabe o que precisa ser registrado.”

A rotina em volta das matrizes é puxada. Quando nasce uma ninhada, Guilherme e a esposa Dani passam a acordar a cada duas horas para alimentar os filhotes com leite suplementado, mesmo quando a mãe está disponível. “É o protocolo, a gente não pula. Se você pular, você perde.” Dani também é responsável por batizar todos os cães do canil, com nomes tirados de séries e franquias, e é a voz da razão em momentos em que o marido quer segurar todo filhote por paixão. “Ele age pela emoção, quer todos. Eu sou a razão.” A frase, dita pela Dani em meio à conversa, virou um retrato honesto do que é tocar um canil que trata cada cão como filho, mas precisa vender para sobreviver.

Genética, sangue e a busca pelo cão perfeito da próxima geração

A parte técnica do bate-papo é onde o Canil Invictus sai de “criação” e entra em ciência. Guilherme trabalha com três linhas de sangue principais, Miyagi, Chucky e Hazard, mais a contribuição recente da linha Veneno, e busca, a cada cruzamento, mesclar as características que mais admira em cada uma. O carro-chefe atual do canil é o Sheik, fruto de um projeto em cima do Envious, que morreu de infarto em uma viagem para um campeonato. A história da perda é contada sem rodeios: o cão era o macho principal, todas as cadelas tinham sido preparadas para cruzar com ele, e a morte precoce jogou o projeto no ar.

Sheik, que já tinha nascido com a aparência que o criador buscava, virou o novo eixo do canil e, em pouco tempo, passou a colecionar premiações em eventos da região. Em uma exposição em Presidente Prudente, levou todas as categorias da classificação exótica e boa parte das categorias de Bully clássico, com juiz internacional convidado. Em outro evento, em Jundiaí, com juiz americano, uma cachorrinha de seis meses nascida no canil foi inscrita na categoria adulta e ganhou das adultas, um resultado que, para ele, “foi extraordinário”. Esses reconhecimentos viraram parte da estratégia de marketing: o pedigree vale tanto quanto o cão, diz ele, e um campeonato regional bem vencido funciona como propaganda que nenhuma rede social compra.

De vender filhotes a vender sonhos

Em um dos trechos mais marcantes do episódio, Guilherme diferencia a postura de quem reproduz para vender da postura de quem reproduz por projeto. “Eu não passo reprodução para venda, eu faço reprodução de projeto. As pessoas não estão comprando apenas um filhote, estão comprando o resultado de um cruzamento planejado.” O raciocínio explica boa parte das práticas do canil: a venda é feita por lista de espera, a comercialização respeita o ciclo de cada fêmea, e a entrega inclui suplementação, orientação e suporte pós-venda. É aí que entra a equipe de amigos, parceiros e até o taxista especializado em transporte animal que leva os cães até Brasília com foto a cada parada.

O episódio termina com um detalhe que humaniza o criador: além de esperar os filhotes nascerem e serem entregues, Guilherme e Dani esperam, para os próximos meses, o primeiro filho biológico do casal. “Essa bateria de filhotes me acordou, cara. Mudou completamente a nossa forma de ver o mundo.” A frase aparece quase no fim do bate-papo, quando os olhos da Dani já estavam em lágrimas em outro momento, e conecta as duas paixões da casa, a dos cães e a que está por vir, com a mesma intensidade que ele diz ter quando fala da American Bully: o de que o amor, quando vira método, vira também ofício.

Onde encontrar

O Canil Invictus Bully fica em Dracena, SP, e trabalha com American Bully de três linhas de sangue (Miyagi, Chucky e Hazard), com cruzamentos planejados e suporte veterinário da Medical Pet. As vendas são feitas por lista de espera, e o canil atende compradores de várias regiões do Brasil, com transporte especializado para destinos distantes. Para acompanhar os cães, a agenda de exposições e a chegada de novas ninhadas, siga o Instagram @invictusbully.

Resumo do episódio

Guilherme Carli transformou um presente da esposa em 2018 em um canil profissional de American Bully em Dracena, raça criada nos EUA como oposto comportamental do Pit Bull. O episódio #164 do AdamiCast revela como uma paixão pessoal estruturada em genética, veterinária especializada e uma filosofia de criar filhos, não apenas cachorros, alcançou premiações nacionais e se tornou referência. A história inclui a importância de uma equipe técnica dedicada, protocolos rigorosos de alimentação e vacinação, seleção genética cuidadosa e o desafio de equilibrar emoção com viabilidade comercial.

Principais aprendizados

  • A American Bully foi desenvolvida para ser o oposto comportamental do Pit Bull, com temperamento zero agressivo apesar da aparência similar.
  • O protocolo de alimentação de filhotes com suplementação a cada duas horas, mesmo quando a mãe está disponível, é crítico para o sucesso da criação.
  • A equipe técnica especializada, como veterinário de raça e fotógrafo de marca, transforma significativamente a qualidade do canil e sua apresentação no mercado.
  • Reprodução de projeto planejado gera mais valor que simples venda de filhotes, incluindo pedigree, cruzamentos estratégicos e suporte pós-venda.
  • As premiações em campeonatos regionais funcionam como propaganda estruturada que amplifica a credibilidade do canil no mercado.

Perguntas respondidas neste episódio

Como a American Bully foi criada?

A raça foi desenvolvida nos Estados Unidos a partir do American Pit Bull Terrier e American Staffordshire Terrier, com cruzamentos pontuais de buldogues inglês e franceses para reforçar a estrutura física. O objetivo era selecionar uma raça com a mesma aparência do Pit Bull, mas com temperamento completamente oposto e zero agressivo.

Como é a rotina de alimentação dos filhotes no Canil Invictus?

Quando nasce uma ninhada, os responsáveis acordam a cada duas horas para alimentar os filhotes com leite suplementado, mesmo quando a mãe está disponível. Este é um protocolo que não é pulado, pois pular afeta diretamente o desenvolvimento dos filhotes.

Qual é a diferença entre reprodução para venda e reprodução de projeto?

Reprodução de projeto envolve cruzamentos planejados onde os compradores adquirem o resultado de um projeto genético estruturado, não apenas um filhote. Inclui suplementação, orientação e suporte pós-venda, respeitando o ciclo de cada fêmea e vendas por lista de espera.

Quem são os profissionais técnicos que trabalham com o Canil Invictus?

O veterinário Renato da Medical Pet cuida da reprodução, ultrassom periódico, cesáreas e dosagem de anestesia. O fotógrafo Bruno é responsável por transformar a apresentação dos cães no Instagram e no mercado, registrando aspectos que definem a qualidade visual do canil.

Como o Sheik se tornou o carro-chefe do canil?

Sheik nasceu como fruto de um projeto baseado no Envious, cão que faleceu de infarto antes de concretizar cruzamentos planejados. Com a aparência que o criador buscava, Sheik substituiu o macho principal e rapidamente começou a coletar premiações em eventos regionais.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.