A Banda Gravata Fake é uma das formações mais queridas do rock de Dracena. Em quase 30 anos de história — começando com o nome Cidadão Quem no final dos anos 90 e ganhando o atual em torno de 2019 — eles já passaram por mais de 40 cidades, abriram show do Ira na Fapidra e viraram trilha sonora de uma geração que cresceu ouvindo Legião Urbana, Paralamas do Sucesso e Capital Inicial nas festas do Raízes, do Galpão, do XTC e do Balu. No episódio 108 do AdamiCast, gravado em 13 de abril de 2022, Guina (vocalista) e Du contaram a história inteira pra Pedro e Mariana.
A conversa teve de tudo: como nasceu o nome Gravata Fake (Guina tinha cochilado no sofá), por que eles trocaram o nome Cidadão Quem (já existia uma banda com esse nome no Sul, com disco gravado), como era a vida noturna de Dracena nos anos 80 e 90, e como a cena de bares da cidade se reergueu depois da pandemia. Também teve anedota de fã: um amigo contou que o primeiro beijo na esposa rolou com a banda tocando With or Without You no Raízes. “Vocês não se conheciam, estão casados há anos”, lembrou o fã.
O nome “Gravata Fake”: a cochilada no sofá que virou banda
O primeiro show da banda foi em Pacaembu, ainda com o nome Cidadão Quem — trocadilho com o filme de Orson Welles. Lotou a casa, foi legal. Aí um amigo avisou: já existia uma banda com esse nome no Sul do país, com música gravada e tudo. Precisava trocar rápido, porque outra data já estava marcada. Guina conta que deu uma cochilada no sofá de casa e o nome veio do nada: Gravata Fake. Pegou carona no Gravata Borboleta do Colarinhos Caóticos, que ele curtia.
“No começo não era legal o nome. Até hoje não é legal, mas pegou”, diz Guina, rindo. A pronúncia à época era difícil — ningém sabia falar fake. Hoje, com a onda de fake news, todo mundo acerta. Pedro brincou: “Antes da banda começar vocês já eram falsos, agora o mundo inteiro também”. O nome, no fim, virou irrelevante: “Importa é o som”, resume Guina.
Antes da Gravata: Terceiro B, Cidadão Quem e a primeira fase
A história começa antes da banda. Guina tinha uma banda no fim dos anos 80 chamada Terceiro B — ele, André (que hoje mora na Espanha), Amauri (no Mato Grosso) e Sidão (Ilha Solteira). Guina é o único que ficou em Dracena. Ensaiaram na casa de um amigo, tocaram em festivais promovidos pela Secretaria de Cultura e abriram o primeiro show do Ira em Dracena, na Fapidra. “Tinha meia dúzia de pessoas ali que acompanhava a gente, uns amigos que sempre iam”, lembra.
No começo dos anos 90 o pessoal foi embora pra estudar — André foi pra Prudente, se formou e acabou na Espanha; Amauri pro Mato Grosso; Sidão pra Ilha Solteira. A banda acabou. Mas Guina e Du se conhecem desde os 10 anos, das peladas de futebol. O reencontro aconteceu no meio dos anos 90, na casa do amigo Itamar, que morava sozinho e não se importava com barulho de bateria. Guina pegou o violão, começou a cantar uma música da Legião Urbana, e o Itamar olhou pros colegas e falou: “Tempo. Você canta. Você é cantor”. Guina tinha cantado só no coral da igreja quando criança. Nunca mais tinha cantado. Daquele dia nasceu o embrião da banda atual.
Da casa do Itamar ao Mapa Cultural Paulista: a formação
A primeira formação teve Guina (vocal), Alex, o Goiá (irmão do Tiaguinho), Diogo (baterista de Pacaembu, que pegava ônibus pra Prudente e topou o convite) e Newton, o Niltinho, no baixo. A banda começou só com música autoral e foi chamada pra participar do Mapa Cultural Paulista. Foi o primeiro teste de verdade. Depois Niltinho saiu pra estudar, Alex foi pra Prudente. Entrou o Paulão (Paulo Pereira), baixista que já tocava com o avô em baile de carnaval.
Guina lembra que precisou pedir autorização pra mãe do Paulão, que na época tinha 15 anos — a idade do Pedro quando começou a ir nos shows da banda. “Mãe dele falou: só tô confiando porque tem vocês, mais velhos, uns 20 e poucos anos”. O Paulão morreu de Covid durante a pandemia — a banda sempre toca lembrando dele. Hoje o baixista é o Androcles (pai e filho se chamam Androcles; o Pedro brincou que o cara “contratou o filho pra não errar o nome no palco”). O Diogo segue na bateria.
A vida noturna de Dracena nos anos 80 e 90: Raízes, Galpão, XTC, Balu
A conversa virou aula de memória sobre a Dracena noturna. Guina e Du desfiaram os bares e casas que marcaram a cena: o Quer Te Pegar, o Clube do Cabeças, o Rock Drink, o Raízes, o Galpão, o XTC, o Balu, a Morada do Sol, o Armazém, o Danceteria Night, em Pacaembu. “Quem tem 35, 40 anos conhece tudo isso aí”, diz Guina. O XTC era o point antes das redes sociais, com páginas tipo Agit que postavam fotos das festas.
Pedro, que cresceu em Dracena, contou que viu a banda pela primeira vez com 15, 16 anos, no Raízes ou no Galpão, em 97 ou 98. E completou: “A gente sempre corria pra São Paulo pra fazer um tour gastronômico, ver coisa diferente. Hoje não: Dracena tá num patamar de comida, de bar, de rolê. Dracena virou uma praça de alimentação aberta”. Guina concordou: “Se você sai numa noite de Dracena, tem três, quatro bares com música ao vivo, você consegue escolher o ritmo muitas vezes na mesma noite”.
O rock regional depois da pandemia: Motobar, Pelicano e os bares da nova Dracena
A pandemia fechou casas e cortou a cena pela raiz. Guina citou o Águia, que era um point legal e fechou. Mas a cena voltou. Hoje a banda toca em três casas principais: o Metrópole Motobar (mais eletrônico, mais animado), o Pelicano (casa grande, rock, sertanejo, democrática) e o Vila (mais acústico, mais tranquilo). “Os bares daqui cresceram, valorizam a região”, diz Guina, citando a Cervejaria Dhuo, a Padaria do Julinho e o Motobar como exemplos de quem segurou a barra na pandemia.
O retorno depois da pandemia veio com a constatação de que muita gente que tinha saído da noite nos anos 2000 voltou a sair. Constituiu família, os filhos cresceram, e agora tem tempo de novo. “Você faz um show de 3 horas, gasta 6, 7 horas do dia, e dá pra 20 ou 3.000 pessoas. Depende da vibe”. A banda tem shows marcados: dia 22 de abril no Motobar e dia 14 de maio no Pelicano. Pedro brincou no fim: “É um casamento com quatro pessoas, sem sexo”. Guina respondeu: “Casamento com quatro pessoas é a melhor coisa da noite, não vou falar nada porque é essa noite então”.
Onde encontrar
A Banda Gravata Fake é de Dracena, SP e está ativa na região do Oeste Paulista. Os shows acontecem em Dracena e nas cidades vizinhas, com agenda atualizada no Instagram. Página da banda: @gravatafake. Vocalista Guina: @guina.ribeirosilva. Du: @penhadu.
Resumo do episódio
A Banda Gravata Fake é uma formação de rock de Dracena que começou como Cidadão Quem no final dos anos 90 e adotou o nome atual em 2019 após uma cochilada do vocalista Guina no sofá. O episódio resgata a história de quase 30 anos da banda, passando pela vida noturna da cidade nos anos 80 e 90, a trajetória desde apresentações em festivais até shows em bares consolidados, e como a cena local se reergueu após a pandemia com novos e antigos espaços valorizando a música ao vivo.
Principais aprendizados
- O nome Gravata Fake surgiu de forma improvisada quando a banda precisou trocar de identidade após descobrir que Cidadão Quem já existia com música gravada no Sul do país.
- A banda nasceu do reencontro entre Guina e Du nos anos 90 na casa do amigo Itamar, onde Guina foi incentivado a cantar pela primeira vez em anos.
- Dracena tinha uma cena noturna vibrante nos anos 80 e 90 com diversos bares como Raízes, Galpão, XTC e Balu que marcaram gerações.
- A pandemia fechou casas tradicionais como o Águia, mas a cena se reergueu com novas e antigas casas como Motobar, Pelicano e Vila valorizando a música ao vivo.
- O retorno pós-pandemia trouxe pessoas que tinham saído da noite nos anos 2000 de volta aos shows após constituir família e os filhos crescerem.
Perguntas respondidas neste episódio
Como a Banda Gravata Fake escolheu seu nome?
O nome Gravata Fake surgiu quando Guina cochilou no sofá de casa e precisava trocar rapidamente do nome anterior Cidadão Quem, pois já existia uma banda com esse nome no Sul do país com música gravada. O novo nome pegou carona no Gravata Borboleta do Colarinhos Caóticos, que Guina curtia.
Quais eram os bares mais importantes da vida noturna de Dracena nos anos 80 e 90?
Os principais bares e casas que marcaram a cena foram Raízes, Galpão, XTC, Balu, Morada do Sol, Armazém, Quer Te Pegar, Clube do Cabeças e Rock Drink. O XTC era um point especialmente conhecido, onde páginas como Agit postavam fotos das festas.
Como a cena de rock em Dracena se reergueu após a pandemia?
Após fechar casas como o Águia, a cena voltou com novos e antigos espaços valorizando a música ao vivo. A banda toca principalmente em três casas: Motobar, Pelicano e Vila. Estabelecimentos como Cervejaria Dhuo, Padaria do Julinho e Motobar também contribuíram ao valorizar a região durante a pandemia.
Como a Banda Gravata Fake começou?
A banda nasceu do reencontro entre Guina e Du no meio dos anos 90 na casa do amigo Itamar. Guina cantava uma música da Legião Urbana quando Itamar o incentivou dizendo que ele era cantor. Era a primeira vez que Guina cantava desde o coral da igreja na infância, e daquele dia nasceu o embrião da banda atual.
Quanto tempo a Banda Gravata Fake existe?
A banda tem quase 30 anos de história. Começou com o nome Cidadão Quem no final dos anos 90 e ganhou o nome atual Gravata Fake em torno de 2019. Nesse período, já passou por mais de 40 cidades e abriu show do Ira na Fapidra.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.